Uma Usina: A importância do CDA

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UMA USINA

Por outro lado, o enchimento do reservatório exigiu também a realização de uma operação de salvamento de peixes. A principal preocupação era com a parte do rio a jusante da barragem, que no período da formação do lago teria seu nível reduzido consideravelmente, formando pequenas lagoas nas partes mais rasas, onde peixes poderiam ficar presos. Diante deste fato, equipes se dividiram e nas primeiras semanas
chegaram a recolher em torno de 4.000 peixes por dia, devolvidos ao rio em outras partes, onde a situação era normal. Os biólogos também instalaram aparelhos chamados de aeradores, que tinham como função oxigenar a água do rio nos locais onde o nível ficou baixo.

A busca do conhecimento pleno do clima da área de influência do reservatório está abarcada em um outro programa ambiental permanente. Realizado em parceria com a Epagri/Climerh-SC, são operadas quatro estações meteorológicas nas cidades de Itá, Concórdia, Celso Ramos e Marcelino Ramos. As condições sismológicas são acompanhadas constantemente por cinco sismômetros. Alguns programas que não têm caráter
permanente ainda terão continuidade por algum tempo, como o que garante assistência técnica a alguns reassentamentos.

Todos os programas são mantidos através de parcerias com várias universidades, órgãos municipais e instituições de pesquisa. Um dos pontos-chave dessa articulação é a criação do Centro de Divulgação Ambiental (CDA), com 846 metros quadrados de área construída, que funcionará na cidade de Itá, servindo de referência
para todos os programas ambientais concluídos e em andamento. Sua tônica é a educação ambiental, com a criação de novos trabalhos e pesquisas a partir dos resultados já alcançados. O CDA servirá também como um centro de recepção ao visitante. A participação da sociedade organizada será fundamental para o funcionamento do CDA, que será na verdade o grande gestor de todo o Plano Diretor, chamando para si a responsabilidade patrimonial e ambiental do lago.

Uma vez normatizada pelos projetos ambientais, a exploração turística da região começa a decolar. Um passo importante para se colocar em prática o projeto dos Roteiros Turísticos Integrados foi a realização de um pacto entre os 11 municípios para a criação de planos diretores municipais compatíveis
com o Plano Diretor proposto pelo Consórcio Itá. A cidade de Itá é a que passa pelas maiores mudanças desde o início do projeto da usina. Antes da relocação, sua economia dependia apenas da agricultura e da pecuária. Não havia asfalto para se chegar à cidade velha. Com as mudanças, a cidade nova tornou-se bonita,
atrativa, segura e famosa. A qualidade de vida melhorou sensivelmente, e as expectativas são as melhores possíveis com os novos investimentos turísticos.

Um deles é o Parque Termas de Itá. Em 2000 iniciou-se a perfuração de um poço de 17,5 polegadas, que produzirá uma vazão de 250 mil litros de água mineral por hora, a uma temperatura de 40 graus, suficiente para ancorar o amplo projeto do parque. Uma empresa criada na cidade, a Itatur, constituída
por 94 associados da própria comunidade, está à frente da construção do Parque. O empreendimento prevê até cinco hotéis de frente para o lago, com um total de 416 habitações e três restaurantes panorâmicos, além
de um parque aquático, com piscina térmica coberta, tobogãs, trapiches e barcos. Terá também teleférico, spa e camping. Itá ganhará ainda um balneário público de águas termais, que está sendo construído em uma área de 90 mil metros quadrados.

Unidade de Conservação Barra do Queimados, Concórdia.

Unidade de Conservação Barra do Queimados, Concórdia.

Todos os municípios vizinhos ao lago ganham novo ânimo com seus novos projetos. Com recursos públicos, provenientes de royalties, em parceria com investidores privados, Concórdia investe em um parque náutico, assim como o município gaúcho de Marcelino Ramos. Nesta cidade, conhecida por suas termas, uma grande obra de relocação do Balneário de Águas Termais está em curso. Todo o complexo ocupará uma área acima do balneário original. O poço foi alargado de 4 para 23 polegadas, aumentando a vazão de 90 mil litros para 350 mil litros de água mineral por hora. A água sulfurosa vai subir pela adutora com a pressão triplicada, permitindo o aumento do número de piscinas de três para sete, incluindo uma série de brinquedos aquáticos. A cidade recebe a visita de 200 mil turistas anualmente, e a expectativa é de que o fluxo aumente em 10% ao ano. Na verdade, cada cidade está com projetos específicos. Em Mariano Moro, a comunidade lançou o Projeto Prainha, um complexo turístico na margem do reservatório, que inclui uma praia artificial. Aratiba também terá a sua praia, e Arabutã passará a contar com uma marina. Alto Bela Vista investe no turismo rural e ecológico, e Severiano de
Almeida aposta na criação de infra-estrutura para a prática de esportes náuticos.

No rastro da usina, do lago e dos projetos em andamento e para o futuro segue uma miríade de novos negócios. Itá já conta com loja de artigos náuticos e um grande barco está em construção, do tipo catamarã, com capacidade para levar um ônibus de turismo. Com restaurante a bordo, a idéia é navegar pelo reservatório em passeios com a duração de um dia, parando nos principais pontos turísticos. Na cidade surgiram
empresas que realizam até vôos de ultraleve sobre a região inundada.

Com as novas estruturas públicas e privadas em funcionamento, será possível tomar uma embarcação em Itá, conhecer as torres da igreja submersa da cidade velha e dali rumar para Aratiba. Lá pode-se conhecer a Casa do Pastor, uma das principais atrações turísticas da cidade gaúcha, voltar a Santa Catarina para conhecer a Unidade de Conservação de Concórdia, e finalmente retornar a Itá e relaxar nas termas. Para os turistas e moradores, o belíssimo pôr-do-sol sobre o reservatório da Usina Hidrelétrica Itá testemunha
o renascimento da região e a realização de um sonho que o Brasil viveu por mais de três décadas.

 
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