| Uma Obra: A participação da iniciativa privada. O Consórcio. |
Imagine Longe dali, a história também não foi muito diferente. A incapacidade crescente do setor público brasileiro em lidar com assuntos vitais como a ampliação da oferta de energia elétrica vinha causando problemas desde o início do projeto da Usina Hidrelétrica Itá, protelando obras, forçando alterações no programa, mobilizando e desmobilizando imensas estruturas e equipes. Em 1989, a moratória da dívida externa, decretada pelo Governo Federal, afastou a possibilidade de financiamento junto a bancos de fomento internacionais, determinando a paralisação quase total das obras. Itá freqüentou a lista das grandes obras inacabadas por longos anos. Esteve reduzida, neste entremeio, a trabalhos pontuais da Eletrosul, subsidiária da Eletrobrás, um rescaldo do enorme esforço realizado a partir de 1981 na relocação da sede do município de Itá, dos núcleos rurais e reassentamento das famílias atingidas. A sorte começou a mudar em 1993, com a publicação de dois decretos do Governo Federal. Os decretos 915/93 e 1009/93 se constituíram em verdadeiros divisores de águas do setor energético brasileiro. Eles permitiram a participação privada na finalização de usinas hidrelétricas e térmicas que estivessem paradas por falta de recursos, além de criar condições para que grandes consumidores produzissem a sua própria energia, associados ou não a companhias estatais. Foi a senha para a ressurreição de Itá. A engenharia montada para viabilizar o projeto consistiu na formação de um consórcio privado para se associar à Eletrosul,
ficando ele responsável pela obra – dos
fundamentos ao giro final da quinta turbina –, O processo licitatório
internacional, que viria a
definir o parceiro da Eletrosul
no empreendimento,
foi lançado em junho
de 1994. O vencedor seria
definido através do cálculo
do benefício econômico total que ofereceria. O anúncio da retomada atraiu gente dos quatro cantos do país para o local da barragem. Chegaram milhares de barrageiros, dispersos pelo Brasil desde que as grandes obras arrefeceram nos anos 80. Muita gente sem experiência em construção de usinas também veio dos arredores, em busca de trabalho. |
|
Escavações para abertura dos túneis forçados. |
Apesar da grandiosidade do empreendimento não havia lugar para tanta gente. A situação chegou
a um ponto que a Eletrosul e as autoridades públicas
foram obrigadas a montar um centro de
apoio aos migrantes. Os que chegavam e de alguma
maneira não se encaixavam no projeto
eram recebidos em alojamentos e alimentados.
Depois, recebiam passagens de volta para suas
casas, onde quer que morassem. Além do aspecto
humano, estava em jogo a própria qualidade A movimentação de equipamentos
e materiais em direção ao canteiro de obras mudou a rotina pacata que já havia se estabelecido
na região após todo o processo de relocação
da cidade. Ao passarem por dentro de
Concórdia, equipamentos pesados como guindastes
e peças de pontes rolantes paravam o
trânsito e obrigavam o levantamento dos fios
da rede de distribuição elétrica. No canteiro chegaram
a circular, ao mesmo tempo, cerca de
140 caminhões fora-de-estrada. O consumo diário
de óleo diesel era de 30 mil litros. O ritmo As várias frentes de trabalho compreendiam
terraplanagem, escavação da casa de força e dos
túneis de desvio do rio, enquanto as ensecadeiras
auxiliares eram confeccionadas para que se
pudesse iniciar a escavação nos emboques e desemboques
dos túneis. Neste ritmo, atingiu-se o
pico de escavação em solo de 700 mil metros |
|