| Uma Nova Vida: Indenização simples |
Imagine A grande maioria dos proprietários de terra, cerca de 90%, optou pela indenização simples, embora pudessem também optar pelo reassentamento se a sua propriedade ficasse inviabilizada. O preço a ser pago foi definido através de pesquisas de preço feitas em conjunto por técnicos e representantes da Crab. Ao todo, foram adquiridas total ou parcialmente 2.733 propriedades, entre as que foram atingidas em parte, totalmente submersas e aquelas onde as áreas remanescentes secas eram muito pequenas para manter a atividade econômica da família. Uma parte destas áreas remanescentes, respeitada a faixa ciliar destinada à preservação, foi agrupada, formando novas propriedades, o que possibilitou reassentar algumas famílias dos atingidos que preferiram ficar na região de origem. Para os não-proprietários foram apresentadas três opções: o reassentamento nas áreas remanescentes; a concessão de carta de crédito para a aquisição de áreas em locais próximos; e os reassentamentos coletivos feitos nos Estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. No total foram beneficiadas 872 famílias. Oito áreas para reassentamentos coletivos foram adquiridas, nos municípios de Marmeleiro (PR), Campo Erê (SC), Chopinzinho (PR), Honório Serpa (PR), Chiapetta (PR), Campos Novos (SC) e duas em Mangueirinha (PR). As áreas para os reassentamentos coletivos
também foram escolhidas em conjunto com representantes
da Crab, a partir de alguns pontos que nortearam a aquisição dos terrenos. Em primeiro
lugar tinham que ser lotes que possibilitassem
o desenvolvimento socioeconômico das
famílias, com o mínimo de 60% da área em
condições para a agricultura com tração mecânica.
O dimensionamento dos lotes foi definido
de acordo com a força de trabalho da
família, sendo que o mínimo admitido era de
15 hectares. Os agricultores reassentados receberam No transcorrer do processo,
constatou-se uma
evolução na implantação
dos reassentamentos coletivos.
No primeiro, localizado
em Marmeleiro e iniciado
em 1989, a Eletrosul
contratava empreiteiras
para a execução da quase
totalidade das obras, com
exceção de benfeitorias,
como galpões, construídas
pelos próprios reassentados.
Em Campo Erê, concluído
no final de 1990 e
contando com 50 famílias, foi possível observar Já em Mangueirinha I, iniciado em 1992, a mudança se tornou bem visível. Depois de inúmeras reuniões de negociação, os reassentados concordaram em assumir os trabalhos de desmatamento, a construção das casas e galpões, obras de conservação do solo e correção da acidez. Foi formalizado um termo de compromisso com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itá, uma vez que a Crab ainda não havia constituído uma figura jurídica. |
A formação do
lago exigiu a |
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De cima par baixo: Karla Fabiana Hall, Nilo Moschetta, da
Casa Marilene e Tranquilo e Rosália Cadore,
com o neto Diogo. Todos de Itá. |
Neste
termo, a Eletrosul – a empreendedora da época– se comprometeu a repassar os recursos financeiros, O modelo adotado para relocar a população rural, definido em boa parte por um processo de diálogo constante entre
o empreendedor e a população atingida, é
considerado referência e está sendo adotado em Ainda em relação aos moradoresda zona rural, a formação do lago exigiu a relocação de pequenas comunidades do
interior, aqui denominadas de núcleos. No total
foram mudados 36 núcleos e seus equipamentos
de infra-estrutura, em nove dos 11 municípios
atingidos pelo reservatório. Mais uma vez, o processo
contou com a participação ativa da população.
Cada comunidade elegeu a sua comissão
de representação, que esteve presente em todos
os momentos da relocação, desde a escolha
do novo local, a aprovação dos projetos e
acompanhamento da obra até a sua entrega. Para
orientar e unificar os procedimentos, foi desenvolvida
pela empresa e pelos atingidos uma Norma
Geral para os projetos de relocação. O trabalho
compreendeu ainda a reconstrução de 15
equipamentos isolados destas comunidades, |
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Saída do colégio, Itá. |
A implantação da usina também acarretou a perda parcial da infra-estrutura que servia a região. Todo este sistema, formado por estradas, pontes e rede elétrica, teve que ser recomposto, ao mesmo tempo em que passou por melhorias significativas. Ao todo foram refeitos 566 quilômetros de estradas, sendo 508 quilômetros de vias municipais, 58,9 quilômetros estaduais e 3 quilômetros de rodovias federais. Ainda no sistema viário, 24 pontes foram reconstruídas, totalizando 1.326 metros. Em relação ao fornecimento de energia elétrica, 710 quilômetros da rede foram refeitos, com uma sensível melhora dos serviços e da distribuição. O lago escondeu sob suas águas parte da memória da região, e com ela uma série de referências culturais, arquitetônicas e espaciais. Para tentar resgatar o máximo possível desta memória, o empreendedor começou em 1993 a desenvolver o Programa de Preservação da Memória e do Patrimônio Histórico-Cultural e Paisagístico, que mais tarde seria rebatizado de Arca de Noé. O programa teve dois princípios básicos: o resgate de bens culturais e ações de incentivo ao envolvimento das comunidades no trabalho. A primeira ação desenvolvida dentro deste programa aconteceu em Itá, em maio de 1994, com a realização do “I Fórum
sobre o Resgate da Memória e do Patrimônio
Histórico-Cultural da Região Atingida pelo Reservatório
da UHE Itá”, que contou com a participação
de 120 pessoas. Foram convidados representantes Um destes projetos desenvolvidos pelo Arca
de Noé foi a relocação ou restauração de edificações
consideradas notáveis, tanto pelo valor
histórico, como cultural ou simbólico. A partir
de um levantamento, foram selecionadas dez
edificações para remoção e/ou restauração: três
igrejas, uma escola, quatro residências e duas
antigas sedes de prefeituras. Houve um trabalho
para que estas edificações fossem transformadas
em Casas da Memória, com o objetivo de criar
espaços para a guarda e exposição de objetos de
valor histórico e a realização de eventos voltados à preservação do patrimônio. Esse é o caso das Casas Alberton e Camarolli, exemplares
significativos da arquitetura regional transferidos
para a cidade nova de Itá. Já a Igreja de Navegantes,
localidade no interior de Aratiba, inaugurada
em 1951, mudou-se para a sede do município |
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