Imagine
UM RIO
Logo nos primeiros anos da colonização, o rio também ofereceu uma luz do que seria seu maior valor econômico na
virada do século XX. Em várias comunidades,
como em Itá, pioneiros represaram braços do
rio e produziram energia elétrica para a cidade e
a indústria nascente. A potencialidade das águas
do rio para gerar energia foi redescoberta com
outra dimensão no final da década de 60, quando
foi realizado o inventário do potencial energético
tanto na parte baixa quanto na parte alta
do rio. Naquele momento, o país experimentava
o início do chamado milagre econômico e
fazia parte dos programas de infra-estrutura a
ampliação da oferta de energia elétrica para suportar
o crescimento econômico previsto. Toda
a bacia do rio Uruguai foi estudada, relacionando-
se os locais com potência de referência superior
a 10 megawatts.
Inicialmente constatou-se que, na parte alta
da bacia do rio Uruguai, o potencial hidráulicopoderia ser aproveitado em 14 projetos, sendo
cinco no rio Canoas, cinco no Pelotas e quatro
no Uruguai, totalizando uma potência de 2.800 megawatts . |
Além disso, mais 13 projetos de
menor porte foram listados nos rios Chapecó e
Chapecozinho, afluentes do Uruguai, totalizando
outros 620 megawatts de potência. Entre 1977
e 1979 os estudos foram revistos pela Centrais
Elétricas do Sul do Brasil (Eletrosul) – estatal
então responsável pela geração e transmissão
de energia na Região Sul do Brasil e no Estado
de Mato Grosso do Sul – considerando-se não
apenas o melhor aproveitamento energético,
mas também aspectos socioeconômicos, físicoterritoriais
e ecológicos envolvidos na construção
das usinas. Graças à abrupta queda do relevo
e ao fato dos pontos listados serem quase
todos encaixados entre montanhas, a conclusão
era de que a região poderia abrigar 22 usinas,
cujas características seriam o baixo custo
por megawatt gerado e a pequena área dos lagos,
reduzindo sensivelmente os impactos ambientais
e sociais quando comparados com projetos
de outras regiões do país.
A partir de 1979, o Departamento Nacional
de Energia Elétrica (DNAEE) autorizou os Estudos de Viabilidade Técnica e Econômica da Usina Hidrelétrica Itá. Em 1981, definiu-se o eixo
C como um dos pontos de melhor aproveitamento
energético do rio Uruguai, num local pouco
acima da foz do rio Uvá, entre o município
catarinense de Itá e o gaúcho de Aratiba. Foi a
partida de um projeto que seria concluído quase
20 anos depois. |