UHE-Itá - uma história: O aproveitamento das águas

Imagine
UM RIO

Logo nos primeiros anos da colonização, o rio também ofereceu uma luz do que seria seu maior valor econômico na virada do século XX. Em várias comunidades, como em Itá, pioneiros represaram braços do
rio e produziram energia elétrica para a cidade e a indústria nascente. A potencialidade das águas do rio para gerar energia foi redescoberta com outra dimensão no final da década de 60, quando foi realizado o inventário do potencial energético tanto na parte baixa quanto na parte alta do rio. Naquele momento, o país experimentava o início do chamado milagre econômico e fazia parte dos programas de infra-estrutura a
ampliação da oferta de energia elétrica para suportar o crescimento econômico previsto. Toda a bacia do rio Uruguai foi estudada, relacionando- se os locais com potência de referência superior a 10 megawatts.
Inicialmente constatou-se que, na parte alta da bacia do rio Uruguai, o potencial hidráulicopoderia ser aproveitado em 14 projetos, sendo cinco no rio Canoas, cinco no Pelotas e quatro no Uruguai, totalizando uma potência de 2.800 megawatts .

A potencialidade das águas do rio para gerar
energia foi redescoberta com outra dimensão
no final da década de 60.

Volta do Uvá - Itá/Aratiba, 1995.

Além disso, mais 13 projetos de menor porte foram listados nos rios Chapecó e Chapecozinho, afluentes do Uruguai, totalizando outros 620 megawatts de potência. Entre 1977 e 1979 os estudos foram revistos pela Centrais Elétricas do Sul do Brasil (Eletrosul) – estatal então responsável pela geração e transmissão
de energia na Região Sul do Brasil e no Estado de Mato Grosso do Sul – considerando-se não apenas o melhor aproveitamento energético, mas também aspectos socioeconômicos, físicoterritoriais e ecológicos envolvidos na construção das usinas. Graças à abrupta queda do relevo e ao fato dos pontos listados serem quase
todos encaixados entre montanhas, a conclusão era de que a região poderia abrigar 22 usinas, cujas características seriam o baixo custo por megawatt gerado e a pequena área dos lagos, reduzindo sensivelmente os impactos ambientais e sociais quando comparados com projetos de outras regiões do país.

A partir de 1979, o Departamento Nacional de Energia Elétrica (DNAEE) autorizou os Estudos de Viabilidade Técnica e Econômica da Usina Hidrelétrica Itá. Em 1981, definiu-se o eixo C como um dos pontos de melhor aproveitamento energético do rio Uruguai, num local pouco acima da foz do rio Uvá, entre o município
catarinense de Itá e o gaúcho de Aratiba. Foi a partida de um projeto que seria concluído quase 20 anos depois.