No EIA/RIMA, com o estudo aprofundado da vegetação do vale do rio Uruguai, observou-se que a comunidade vegetal dessa região era complexa e permitia a manutenção de uma grande diversidade biológica. A paisagem era composta pela ocorrência da floresta ombrófita mista, caracterizada pela presença da araucária angustifólia e pela floresta estacional decidual, caracterizada pela formação de sub-bosques constituídos basicamente por angiospermas. Essas características instigaram os técnicos a prospectar a formação de uma faixa ciliar de proteção.
Através dos estudos realizados pelo prof.Samuel Murgel Branco em 1980, na área de abrangência do reservatório, verificou-se que os processos conduzidos de regeneração natural eram significativos. Murgel (1980) salientou ainda que a rápida formação ou o aparecimento de uma área contínua de vegetação constituiria uma das medidas de maior proteção à qualidade das águas do reservatório, pois atuaria como barreira natural contra o escoamento de agrotóxicos empregados nos cultivos agrícolas, bem como um elemento amortecedor do impacto das chuvas, fixando o solo e aumentando a infiltração das águas, além de contribuir também para a disseminação de material genético e recomposição da diversidade florística da região.
Outro grande fator positivo é que, com o passar dos anos, iria se formar no entorno do reservatório uma grande faixa contínua de floresta, que serviria como corredor ecológico de migração para os pássaros e animais, ligando, assim, os grandes maciços de florestas localizados ao longo do lago.
Baseando-se nesses estudos e pela disponibilidade de mudas no Horto Botânico da UHE Itá, decidiu-se implantar uma unidade piloto para representar o desenvolvimento da faixa ciliar do reservatório.
Em maio de 1995 foram, então, plantadas 395 mudas numa área de 4.000 m², divididas em 19 espécies diferentes, com espaçamento de 3 x 3 m, sendo todas elas nativas. A seguir, vê-se a tabela das espécies plantadas:
Nome popular |
Nome científico |
Grápia |
Apuleia leiocarpa |
Canjerana |
Cabralea canjerana |
Cedro |
Cedrela fissilis |
Araucária |
Araucária angustifólia |
Canela-amarela |
Ocotea pretiosa |
Cereja |
Eugenia involucrata |
Pitanga |
Eugenia uniflora |
Açoita-cavalo |
Luehea divaricata |
Guabiroba |
Campomanesia xantocarpa |
Guabiju |
Myrcianthes pungens |
Aroeira |
Schinus sp |
Angico-vermelho |
Parapiptadenia rígida |
Monjoleiro |
Anadhanthera columbina |
Araçá-amarelo |
Psidium cattleianum |
Guatambu |
Balfourodendron riedelianum |
Canafístula |
Pelthophorum dubium |
Canela-guaicá |
Ocotea pulberulla |
Goiaba |
Psidium guajava |
Louro-pardo |
Cordia trichotoma |
O plantio foi realizado com um coroamento de 1 m de diâmentro nas mudas, tutoramento, combate a formigas, adubação e, após alguns meses, o replantio. A manutenção do coroamento foi mantido por dois anos, sendo que depois disso, não se realizou nenhuma intervenção objetivando assim acompanhar o desenvolvimento das espécies. Ressalta-se que as mudas na época do plantio tinham uma altura média de 30 cm, um diâmetro médio de 3 mm e foram todas plantadas numa área cuja ocupação anterior era pastagem para a criação de gado.
Como resultado desse processo tem-se que, em julho de 2000, cinco anos após a implantação, obteve-se além das 395 mudas plantadas, mais 115 árvores florestais divididas em 8 espécies:
Nome popular |
Nome científico |
Grandiúva |
Trema micranta |
Goiaba |
Psidium guajava |
Açoita-cavalo |
Luehea divaricata |
Aroeira-vermelha |
Schinus terebentifolius |
Fumo-bravo |
Solanum mauriatinum |
Palmeira-jerivá |
Syagrus romanzoffiana |
Vassoura |
Baccharis sp. |
Canela-guaicá |
Ocotea pulberulla |
Além das gramíneas:
Nome popular |
Nome científico |
Grama comum |
Paspalum paniculatum |
Capim touceira |
Sporobulus indicus |
Samambaia |
Pteridium aquilinum |
Como resultado desse experimento, obteve-se um diâmetro médio de 10 cm e altura média de 3,01 m.
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